COISAS DE LABORATÓRIO NO BRASIL: QUEM CONTA?
Resumo
Os computadores e as eletrônicas chegaram para ficar nos laboratórios de pesquisa. Os dispositivos mecânicos e pneumáticos controlados manualmente através de manivelas, registros, aplicações de carga por colunas de mercúrio entre outras soluções deram espaço para um conjunto de artefatos controladores baseados na computação e na eletrônica. Diante desse novo paradigma, como refletir sobre os destinos dos laboratórios da tecnociência brasileira? Como pensar localmente na historicidade das invenções e enredamentos das coisas dos laboratórios desde os microscópios, as bombas de vácuo, os micróbios, os micro-transistores, os microprocessadores, os microcomputadores, etc? (LATOUR, 1996). Quem conta? Quem faz as contas? Não é difícil fazer estas perguntas. Já respondê-las… Essa é a proposta deste ensaio. Enfrentar esse desafio de buscar testemunhos de como a vida de laboratório se modificou desde quando os dispositivos laboratoriais passaram a ser cada vez mais controlados por artefatos computacionais e eletrônicos. Para ancorar este debate na realidade brasileira, foram realizadas entrevistas com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, das áreas das engenharias e das biotecnociências. Os entrevistados selecionados tinham longa trajetória em laboratórios brasileiros, cerca de 30 ou 40 anos, e vivenciaram a informatização de seu ambiente de trabalho e de suas práticas diárias. Estas foram a nossa maior inspiração. As entrevistas foram abertas e as análises refletem as narrativas, em muitos casos, lideradas pelos próprios entrevistados. O roteiro apenas conduziu o entrevistado de suas primeiras experiências no cotidiano do laboratório para as vivências atuais, explicitando pontos e detalhando questões que serão analisadas a seguir.Downloads
Publicado
2018-10-01
Edição
Seção
Anais SHIALC 2018